Esta é a questão que conduz este Tratado.
Tratado Antropológico-Teológico da Pessoa Diante da Técnica — Uma Responsabilidade Humana na Idade da Inteligência Artificial desenvolve uma investigação sistemática de Antropologia Teológica sobre a pessoa humana diante da transformação técnica contemporânea. Seu percurso parte da Ontologia e da Teleologia da Criação, atravessa a singularidade humana e a Imago Dei, alcança a consciência, a interioridade, a subjetividade e a responsabilidade moral e, finalmente, confronta essas categorias com a emergência da Inteligência Artificial.
A obra não toma a Inteligência Artificial como seu objeto primário. Seu centro é a Pessoa. A técnica constitui o horizonte diante do qual a compreensão do ser humano é colocada à prova.
No primeiro movimento, o Tratado examina as fronteiras ontológicas do Ser, a estrutura teleológica da Criação, o problema do achatamento ontológico e a tensão entre função e propósito em uma época marcada pela aceleração tecnológica.
No segundo, desenvolve uma investigação sobre o Homem e a Imago Dei, examinando suas dimensões substancial, funcional e relacional, a unidade da imagem divina, a ruptura provocada pela queda, a permanência da Imago Dei na condição humana ferida e a centralidade de Cristo como a Imagem Perfeita.
No terceiro movimento, a investigação se concentra na Consciência e no Ato Cognitivo Humano, explorando o surgimento do “Eu”, a gramática da primeira pessoa, a experiência consciente, os qualia, o problema difícil da consciência, o experimento mental do Quarto de Mary, a perspectiva de primeira pessoa e a irredutibilidade do sujeito.
Essas questões são colocadas em relação com a unidade da pessoa humana, compreendida como unidade psicossomática e como ser de relação, conduzindo à investigação da interioridade como centro unificador da pessoa e à consciência como fundamento de responsabilidade moral.
A Filosofia Analítica da Mente ocupa, nesse percurso, uma posição de interlocução correlacional. O Tratado dialoga criticamente com problemas e formulações associados a pensadores como David Chalmers, Frank Jackson e John Searle, especialmente no que diz respeito à consciência, experiência subjetiva, qualia, conhecimento, compreensão e relação entre mente e mundo físico. O diálogo, entretanto, integra-se a uma investigação antropológico-teológica que ultrapassa os limites desses debates e os reinsere em uma problemática mais abrangente acerca da Pessoa humana.
A questão da consciência artificial surge, assim, como uma fronteira decisiva. O Tratado examina a distinção entre simulação e compreensão, entre exterioridade funcional e interioridade, e entre desempenho observável e experiência em primeira pessoa, conduzindo a uma pergunta fundamental: pode uma máquina ser consciente?
A investigação culmina na consciência diante de Cristo e em uma integração cristológica da razão moderna, recolocando a técnica dentro de um horizonte no qual a questão fundamental não é apenas aquilo que as máquinas podem fazer, mas aquilo que o ser humano é e pelo que permanece responsável.
Antropologia Deniltiana
A arquitetura sistemática e as aplicações metodológicas desenvolvidas ao longo do Tratado constituem a expressão abrangente da Antropologia Deniltiana, formulação antropológico-teológica desenvolvida pelo autor e fundamentada em cinco teses originais e estruturantes.
Essa formulação compreende o ser humano como uma unidade dinâmica das dimensões substancial, funcional e relacional da Imago Dei. Sua construção não pretende substituir ou repudiar as formulações clássicas da tradição cristã, mas estabelecer com elas um diálogo crítico e construtivo, desenvolvendo uma estrutura antropológica contemporânea capaz de enfrentar os desafios conceituais suscitados pelo pensamento moderno e pelos desenvolvimentos científicos e tecnológicos.
A Antropologia Deniltiana é apresentada no Tratado não apenas como uma definição do ser humano, mas como uma estrutura sistemática de investigação, na qual suas próprias categorias, compromissos e implicações são continuamente examinados, articulados e confrontados.
Como parte dessa arquitetura, o Tratado apresenta um Apêndice Teórico-Formal, o experimento mental O Quarto Silencioso de Costa, o Princípio Formal — SCS, as Teses Metodológicas Autorais e o Registro de Inovações Conceituais e Metodológicas, além de Minidicionário, Glossário, Índice de Assuntos e Notas Flutuantes.
Resultado de aproximadamente oito anos de pesquisa, reflexão, revisão e sistematização, este Tratado constitui uma obra de fôlego dedicada a uma das questões fundamentais do nosso tempo:
O que significa permanecer humano quando a técnica começa a ocupar territórios que tradicionalmente utilizamos para compreender a própria singularidade da Pessoa?
Mais do que uma investigação sobre Inteligência Artificial, a Antropologia Deniltiana é uma investigação sobre o ser humano diante da técnica — sua origem, sua constituição, sua interioridade, sua responsabilidade e seu lugar na Criação e diante de Cristo Jesus!
Sobre o Autor
Eu sou Denilton Costa, teólogo, gestor, autor e pesquisador independente. Minha trajetória de investigação teológica remonta a 2009, quando tive contato com as disciplinas de um curso de Doutorado em Teologia, experiência que despertou em mim um percurso contínuo de estudo, pesquisa e reflexão sobre as grandes questões da existência humana, da fé, da criação e do propósito divino.
Entre 2014 e 2018, realizei minha formação em Teologia, período marcado por intensa produção acadêmica, pesquisa e elaboração de trabalhos de conclusão vinculados às diferentes áreas da minha formação. Ao longo dessa trajetória, desenvolvi interesses particularmente profundos em Antropologia, Escatologia, Apologética e Filosofia, campos que convergiram posteriormente para uma investigação mais ampla sobre a pessoa humana, a interioridade, consciência, responsabilidade e relação com a técnica.
Ao longo de aproximadamente oito anos de investigação e elaboração, desenvolvi o projeto que culminou em meu primeiro livro publicado: Tratado Antropológico-Teológico da Pessoa Diante da Técnica: Uma Responsabilidade Humana na Idade da Inteligência Artificial.
A obra constitui a expressão sistemática da Antropologia Deniltiana, formulação antropológico-teológica que desenvolvi e estruturei em cinco teses originais e estruturantes, articuladas a um conjunto próprio de categorias, sistemas e procedimentos teórico-formais e metodológicos.
Minha investigação estabelece diálogo crítico e construtivo com a tradição cristã e, em perspectiva correlacional, com a Filosofia Analítica da Mente, além de interlocuções com questões provenientes da ciência, da computação e da Inteligência Artificial. Meu trabalho concentra-se particularmente na compreensão da pessoa humana como unidade dinâmica das dimensões substancial, funcional e relacional da Imago Dei, bem como nas relações entre a interioridade, consciência, subjetividade, responsabilidade e técnica em um modelo argumentativo progressivo, fundamentado em uma resposta dialética contínua entre descrição, crítica e síntese.
O presente Tratado é o resultado de uma longa trajetória de investigação, revisão, confrontação conceitual e sistematização, constituindo a obra central da minha atual produção intelectual.
Atenciosamente, Denilton Costa.